A ONG AMAC Atitudes – Associação Mulheres de Atitude e Compromisso Social, em Duque de Caxias, desde 2012 vem prestando auxílio a mulheres vítimas de violência doméstica, mães solo e jovens da comunidade do Dique da Vila Alzira com rodas de conversa com uma psicanalista, curso de empreendedorismo feminino, reforço escolar, etc.
De acordo com Nil Santos, idealizadora e presidente da ONG, o projeto teve início por causa da sua história de vida. Após ser vítima de violência doméstica por dez anos, Nil conta que foi convidada por uma amiga, coordenadora da instituição “Coisa de Mulher”, a participar de um projeto chamado “Como uma Onda”, que tinha como objetivo conscientizar mulheres sobre o tema.
“No decorrer do projeto eu percebi
que quanto mais eu contava a minha história, compartilhava ela com as outras
mulheres, ainda que não me sarasse, eu também ajudava elas a tomarem iniciativa
e procurarem ajuda. O projeto terminou no final de 2011 e então eu comecei a
fazer aquela roda de conversa por conta própria. Até que no final de 2012 a
gente se juntou para criar uma associação de mulheres vítimas de violência aqui
na nossa comunidade”, conta Nil.
D. O. , 34 anos, é mãe solo de um menino, moradora da comunidade do Dique da Vila Alzira e foi vítima de violência doméstica por um ano antes de se livrar do ciclo da violência. Ela conta que só conseguiu sair do relacionamento abusivo depois de conversar com uma amiga que lhe chamou atenção para o que estava vivendo em casa e a convidou para uma das rodas de conversas promovidas pela AMAC.
“Eu cresci vendo o meu pai fazendo aquilo com a minha mãe dentro de casa, então nem percebi quando meu ex-marido começou a fazer a mesma coisa comigo. Na verdade, eu nem me ligava que aquilo que ele fazia comigo era violência, eu achava que era só se eu levasse um soco, né. Mas não! A minha amiga que disse que os puxões de cabelo e os gritos, que aquilo era sim violência doméstica”, explica D.O.

Ana Beatriz Santos, ou Bia, é filha de Nil, auxiliar administrativo, responsável pela parte financeira da instituição e mãe solo. De acordo com ela, a ideia inicial do projeto estava voltada apenas para essas vítimas de violência doméstica, mas com o tempo o objetivo foi se moldando às necessidades daquelas mulheres.
“O foco da ONG era trabalhar com mulheres vítima da violência doméstica, mas outras mulheres vieram se achegando, pedindo outro tipo de ajuda e nós fomos acolhendo”, explica a auxiliar administrativo.
Segundo
a filha de Nil, a instituição é parceira da APPAI – Associação Beneficente de
Professores Públicos Ativos e Inativos, e todo mês recebe doações de leite. Ana
Beatriz conta que o projeto “Mães do Leite” reúne mensalmente um grupo de mulheres
com filhos de idades entre 0 a 3 anos para realizar as doações e dar palestras
sobre temas variados.

Ana Beatriz
explica que a ONG promove oficinas de artesanato, aulas de costura e cursos de
empreendedorismo feminino para mães solo, mulheres em situação de
vulnerabilidade social, etc. Segundo a tesoureira, o último curso, ministrado
por ela mesma, terminou em dezembro do último ano e durou de três a quatro
meses. Além de ajudar as alunas com um cartão alimentação, no final elas ainda
concorreram ao valor de R$4.500,00 para dar início ao seu próprio negócio.

Nil e Ana Beatriz contam que a AMAC também se preocupa com as crianças e adolescentes da comunidade, oferecendo escolinha de futebol, aulas de inglês, reforço escolar, contação de histórias, curso de barbeiro e aulas de informática. Existe também o projeto “Jovens Falcões”, que trabalha a questão emocional desses jovens.
“Muitos desses jovens passam por vários problemas emocionais, tipo automutilação, autoaceitação e muitos já estão com problemas de relacionamentos abusivos, então a proposta é dar esse suporte pra eles”, finaliza a presidente da AMAC.
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