Inspirada em um livro de memórias da autora Stephanie Land e declarada best-seller pelo The New York Times, a minissérie de drama “Maid” – ou “Criada” em tradução livre – foi lançada em outubro de 2021 pela plataforma de streamings Netflix e é recomendada para maiores de 16 anos. A produção é estrelada por Margaret Qualley (Alex), Nick Robinson (Sean), Andie MacDowell (Paula) e Billy Burke (Hank).

A minissérie conta a história de Alex, uma mãe que foge de casa no meio da noite com a filha Maddy, temendo por suas vidas após ser vítima de violência psicológica, apesar de não entender o que passou como um tipo de violência doméstica. Em busca de um lugar para ficar sem ser o próprio carro, a moça resolve ir atrás do serviço social, que a orienta buscar um emprego para que assim consiga o benefício de moradia. Porém, assim como a realidade de muitas mulheres fora da ficção, Alex não tem uma boa rede de apoio e acaba presa em um ciclo vicioso: É impedida de conseguir um emprego por não ter com quem deixar a filha e, para conseguir uma creche pública para a criança, precisa de um comprovante de emprego.
Após passarem uma noite no carro e outra dormindo no chão de uma estação de balsas, a assistente social sugere que as duas sejam abrigadas em uma instituição de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica. Nesse momento, Sean, o pai alcóolatra de Maddy, vai à justiça pedir a guarda integral da menina e vemos, mais uma vez, a peregrinação de Alex em busca do bem-estar da filha. Ela consegue um emprego como faxineira e além de todos os turnos cansativos que faz, passa a correr atrás de vários benefícios sociais que possam dar moradia fixa, creche e garantia de alimentação para as duas, para que assim possa mostrar ao juiz que ela é capaz de proporcionar uma vida adequada à criança. Quando o ex-namorado abre mão do pedido de guarda integral e Maddy volta para Alex, nós achamos que a situação das duas finalmente vai se acalmar, mas mãe e filha precisam deixar a casa cedida à elas pelo governo por conta do mofo que está adoecendo a criança e a vida das duas volta a ficar de cabeça para baixo novamente.
“Maid” é uma série que atiça a curiosidade do espectador desde o primeiro episódio, nos fazendo torcer por Alex, para que ela deixe para trás o ciclo de violência que vivia em casa e encontre o mínimo de paz. A história mostra, sem qualquer romantização, a realidade de uma mãe solo que está tentando se reerguer apesar de todos os obstáculos que aparecem em seu caminho.
Assim como na vida real, as vivências da
protagonista, os conflitos com os próprios pais, os laços de amizades
construídos no decorrer dos episódios e as tentativas de reerguer uma vida
amorosa esquecida pelo trabalho integral de mãe, nos fazem refletir e muitas
vezes nos identificar com a personagem. Sofremos junto com Alex, conseguimos sentir toda a dor dela,
choramos e nos emocionamos com suas conquistas. Ver a protagonista sair daquele
casulo no fundo do poço e desabrochar como uma flor, faz com que nos sintamos
mães orgulhosas dos próprios filhos por vê-los crescer e é exatamente isso que a mãe de Maddy faz: ela encontra o
próprio caminho para realizar seu maior sonho, que é entrar na faculdade e se
tornar escritora.
O final fechado da série pode deixar muito
telespectador triste pela possibilidade de não haver uma continuação, mas ao
mesmo tempo tranquiliza quem assiste, pois apesar de sabermos que outros
desafios possam surgir na vida de Alex, temos certeza de que o pior já passou.
O assunto "maternar solo" é algo que
vem aparecendo na web de vez em quando e mesmo que muitas vivam essa realidade,
nem todo mundo entende. Muitos se esquecem que mães solo são mulheres, que têm
uma vida fora da maternidade e sonhos que almejam alcançar e “Maid” é a série
certa para lembrar a sociedade disso.
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